top of page

Eu ando um pouco esquecido, o que posso fazer? #neurotraduz a memória

  • 26 de ago. de 2017
  • 4 min de leitura

#NeuroTraduz de hoje é sobre algo com que muitas pessoas podem se correlacionar. Talvez não conheça o termo, mas possivelmente você já percebeu em si ou em outras pessoas alguns dos sintomas. Vale a pena conhecer para procurar o auxílio adequado para esta condição.

Comprometimento cognitivo leve (CCL): Significa de forma literal uma mudança no processamento de informações, de forma suficiente a ser perceptível pelo indivíduo afetado e/ou outras pessoas, mas sem força suficiente para interferir muito na vida diária ou na vida independente.

Esta é uma condição que pode predispor o indíviduo a desenvolver Demência de Alzheimer ou outras condições relacionadas a outras demências. No entanto, não são todos os casos de CCL que vão evoluir para demência. Em alguns casos, o CCL reverte para cognição normal ou permanece estável. Em outros casos, por exemplo envolvendo algumas medicações, o CCL é erroneamente diagnosticado.

É por isso que as pessoas que experimentam comprometimento cognitivo precisam procurar auxílio para diagnóstico e tratamento adequado assim que possível.

Sintomas – classificamos o CCL de acordo com as áreas do pensamento afetadas. O CCL que afeta primariamente a memória é chamado de CCL amnéstico. Usualmente a pessoa esquece coisas que normalmente lembraria de forma rápida, como conversas, compromissos ou eventos recentes. Já o CCL que afeta outras áreas do pensamento é chamado de não-amnéstico, como a dificuldade envolvendo habilidade de tomar decisões, avaliar passos ou tempo levado para determinadas tarefas, bem como a alteração de percepção visual.

O CCL é um diagnóstico clínico, que envolve o julgamento médico sobre os sintomas e sinais apresentados pelo paciente em questão. Em alguns casos, é necessário complementar a consulta com alguns exames adicionais, como exames de imagem ou laboratoriais. No entanto, a fase mais importante é definida ainda em consulta, com uma boa história clínica e exame físico. Será importante trazer detalhes sobre outras doenças do paciente, cirurgias, internamentos e medicações de uso contínuo. Outra informação pertinente é como andam as atividades de vida diária, principalmente em comparação com a atividade prévia do indivíduo. Uma causa comum de gatilho ou piora do CCL pode ser algum distúrbio de humor, como depressão não tratada, isso precisa ser avaliado pelo médico para estabelecer um diagnóstico clínico adequado.

Não existem medicações exclusivamente aprovadas para o tratamento de CCL. As medicações utilizadas para o tratamento do Alzheimer, por exemplo, não demonstraram benefícios no tratamento ou prevenção de progressão quando utilizadas no CCL. Existem, no entanto, algumas estratégias interessantes. Primeiro, você deve ser avaliado pelo neurologista para determinar se existem causas potencialmente tratáveis e reversíveis que cursam junto com o CCL. Outras coisas incluem:

- Exercícios físicos – de forma regular, isso pode beneficiar seu coração e os vasos sanguíneos, o que inclui uma melhora da nutrição do seu cérebro.

- Controle de fatores de risco cardiovasculares – também ajuda a proteger seu cérebro e os vasos sanguíneos. No alvo aqui está o famoso trio de colesterol alto + diabetes + pressão alta. Quanto mais sob controle estiverem, melhor será a cognição em longo prazo.

- Participar em atividades mentalmente estimulantes, bem como participação em atividades sociais – isso parece ajudar a manutenção de funções cerebrais.

Ainda não é possível dizer com certeza qual tipo de CCL pode ter uma evolução desfavorável. É recomendável manter uma assistência regular com um neurologista para acompanhar o que está acontecendo.

O que eu posso fazer para melhorar meu dia-a-dia, uma vez que percebi que não tenho conseguido cumprir as atividades com a mesma facilidade?

Bom, além de naturalmente buscar assistência médica, existem algumas estratégias que podem ser benéficas no dia-a-dia. Confira:

- Identificar: faça uma lista das tarefas que ficaram mais complicadas. Focar em desenvolver estratégias para as atividades mais complicadas pode ser mais fácil. Por exemplo, se você tem esquecido de tomar as medicações, mas não tem dificuldade de lembrar de lavar a louça, foque em criar uma forma de se lembrar das medicações antes.

- Priorizar e pedir ajuda: determine se a tarefa é necessária. Considerar pedir ajuda para algumas tarefas pode ser benéfico, pois tira um pouco do peso caso aquilo esteja muito complicado para fazer sozinho. Isso não precisa significar perder a independência, apenas um auxílio.

- Criar estratégias: Ache a solução que funciona melhor para você. Procure a solução que funciona melhor para você. Se está tendo dificuldade para cozinhar uma receita conhecida, experimente anotar o passo a passo.

- Estabeleça rumos e objetivos realistas: estabeleça prioridades, atividades a serem feitas, mas diminua o estresse relacionado se possível, por exemplo, solicitando ajuda de pessoas confiáveis em determinadas situações.

- Desenvolva uma rotina diária: fazer um plano diário para manter-se focado no caminho do dia-a-dia pode ser útil. Ter um calendário, uma agenda, pode reduzir o tempo gasto imaginando o que precisa ser feito a cada dia.

- Resolva uma tarefa por vez e não fique preso: dê-se tempo para realizar cada atividade. Não se pressione por resultados. Se algo ficar muito complicado, tire uma pausa e tente novamente mais tarde. Gastar muito tempo tentando resolver alguma coisa que você não pode controlar pode gastar sua energia e atenção, atrapalhando a execução de tarefas que você poderia realizar com mais tranquilidade.

- Reconheça que você tem mais de uma chance para resolver um problema: não é incomum que possa ser necessário tentar mais de uma estratégia para atingir seu objetivo final. Procure identificar o que deu errado na vez anterior e faça seus ajustes.

- Reconheça gatilhos que causam estresse: o que piora a ansiedade, preocupação ou estresse? Por exemplo, se outras pessoas ficam te apressando para completar algo, explique a elas o que você está fazendo e pergunte o que podem fazer para te ajudar. Reconhecer o que te causa estresse pode te ajudar a fazer planos adiantados ou escolher melhor as atividades em que você se envolve.

Comentários


Posts Em Destaque
Posts Recentes
Arquivo
Procurar por tags
Siga
  • Facebook Basic Square

©  2018 por Catarina De Marchi

  • White Facebook Icon
  • LinkedIn Social Icon
bottom of page