Nossa Memória e a Internet – O quanto a memória é afetada pelas ferramentas disponíveis?
- 1 de mai. de 2017
- 3 min de leitura
Nossa dependência crescente na Internet e na facilidade de acesso a informações de fontes online está afetando nosso processo de pensamento para resolução de problemas, lembrança e aprender.
Em um artigo publicado na Revista Memory, pesquisadores das instituições Universidade da Califórnia em Santa Cruz e Universidade de Illinois em Urbana Champaign, descrevem como a “descarga cognitiva” (ou a tendência de confiar em coisas externas como a Internet servindo de um ajudante de memória) aumenta após cada uso.
Pensamos na memória como algo que ocorre apenas na cabeça, porém está ficando claro que isto ocorre cada vez mais com a ajuda de agentes externos.
Benjamin Storm, Sean Stone e Aaron Benjamin conduziram experimentos para determinar nossa probabilidade de procurar por ajuda através de computadores ou smartphones.
Participantes foram divididos em 02 grupos para responder algumas perguntas desafiantes de conhecimentos gerais – um grupo utilizou apenas a sua memória, o outro utilizou o Google. Participantes depois tiveram a opção de responder próximas perguntas mais simples com o método de sua escolha.
Os resultados revelaram que os participantes que previamente haviam utilizado a Internet para obter informações tinham uma probabilidade muito mais alta de utilizar o Google novamente para novas questões, quando comparados aos que primeiro utilizaram a memória.
Os participantes também passaram menos tempo consultando a própria memória antes de procurar na Internet; eles não foram apenas mais suscetíveis a tentarem desta forma novamente, também o fizeram com maior rapidez.
Surpreendentemente, 30% dos participantes que previamente consultaram a internet falharam a sequer tentar responder uma única questão apenas por memória.
O autor principal, Dr Benjamin Storm comentou: “A memória está mudando. Nossa pesquisa mostra que conforme usamos a Internet para suportar e estender nossa memória nós nos tornamos mais dependentes dela. Enquanto antes tentávamos lembrar algo sozinhos, agora nós não nos incomodamos a faze-lo. Conforme mais informações ficam disponíveis através de smartphones e outros dispositivos, nós ficamos cada vez mais dependentes deles no nosso dia a dia.”

Esta pesquisa sugere que utilizar um certo método para procurar fatos tem uma marcante influência na probabilidade de se repetir este comportamento no futuro.
O tempo vai dizer se este padrão poderá ter impactos mais complicados na memória humana do que apenas nossa dependência de fontes de informação externa. Certamente a Internet é mais completa, confiável e rápida do que as imperfeições da memória humana. Talvez nos recordarmos de informações gerais sobre o mundo esteja se tornando algo obsoleto para o nosso cotidiano.
Aqui faço um comentário final que é apenas de minha opinião como neurologista, sem ter participação no estudo: A Internet é uma ferramenta incrível que permite o acesso rápido a informações e traz luz de conhecimento acessível e a custo muito mais barato do que jamais imaginamos. Sempre fui uma adepta de novas tecnologias e ao passo que pode ser mais cômodo procurarmos toda dúvida na Internet, fica uma sugestão: exercitar nosso cérebro com leituras, “testar-se” tentando memorizar novas informações, produzir novos conteúdos. Jamais acomodar-se em termos de conhecimento.
E, como em toda informação, sempre verifique a fonte. Principalmente em se tratando de saúde, infelizmente a Internet está cheia de informações duvidosas. Para facilitar o seu aprofundamento, colo abaixo a referências do artigo base para este post do blog:
Benjamin C. Storm, Sean M. Stone and Aaron S. Benjamin “Using the Internet to access information inflates future use of the Internet to access other information” Memory. Published online July 18 2016 doi:10.1080/09658211.2016.1210171































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